Médicos conseguiram enfraquecer o vírus
Doentes e associações que lutam há anos pela erradicação do vírus
receberam a notícia com muita esperança, mas aconselham prudência para
que não sejam criadas falsas expectativas
O anúncio da cura de um bebé infetado pelo vírus da sida, tornado
público este fim de semana por médicos norte-americanos, foi recebido
com alegria, mas também com muita prudência pela Liga Portuguesa contra a
Sida. «É um sinal de esperança» para os que lutam há anos pela
erradicação do vírus, no entanto, «deve haver algum cuidado para não
criar falsas expectativas nos doentes», afirmou a presidente da
associação, Maria Eugénia Saraiva, em declarações à agência Lusa.
«Estas
notícias têm de ser interpretadas clinicamente e psicologicamente na
forma como são transmitidas aos doentes e utentes. Temos de perceber que
efeitos secundários vai ter esta criança a longo ou médio prazo. Temos
de ver como será para um adulto. Acreditamos que estamos a caminhar para
uma cura, por isso, vamos aguardar por mais notícias concretas»,
adiantou a responsável, salientando que a descoberta científica é apenas
um dos caminhos que têm sido apontados para uma possível cura.
O
caso apresentado na 20ª Conferência Anual de Retrovírus e Infeções
Oportunistas, em Atlanta, Estados Unidos, foi o primeiro que alcançou a
«cura funcional» de uma criança contaminada à nascença com o HIV,
transmitido pela mãe seropositiva, que desconhecia estar infetada,
durante a gravidez. Segundo os especialistas, não se tratou a
erradicação do vírus, mas do seu enfraquecimento, de tal forma que o
sistema imunitário da criança pôde controlá-lo sem antirretrovirais.
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