Estima-se que 1,8 milhões de pessoas são
portadoras do vírus HIV e que um terço delas vive no Brasil. Ele pode
ser transmitido pelo sangue (ex: relação sexual, agulhas e transfusão)
ou pelo leite materno. Os portadores do vírus podem apresentar
deficiência de nutrientes como zinco, selênio, vitaminas A, B6 e B12, ou
seja, vitaminas e minerais essenciais para o bom funcionamento do
sistema imune. Além do tratamento com os antiretrovirais a nutrição pode
auxiliar na redução e na frequência das manifestações clínicas.
Alguns estudos já foram publicados
utilizando fermentados contendo as vitaminas e minerais acima, mais
fibras, demonstrando uma melhora de imunidade e de perfil lipidico dos
pacientes soropositivos.
Em 2010 um estudo publicado na Nature
descobriu que a presença do gene HLA B57 fazia com que o organismo
produzisse mais linfócitos T essenciais para o combate contra infecções.
A partir daí, esse ano já houve promessas de uma possível vacina que
auxiliasse na melhora da imunidade dos pacientes. Mais estudos estão
sendo feitos para que isso seja possível e quem sabe a cura para a
doença esteja perto de ser encontrada.
A prevenção mais utilizada contra a Aids
é a camisinha, que tem eficácia entre 90-95%. Outros meios de prevenção
são: redução do número de parceiros sexuais, tratar DSTs se houver, não
compartilhar agulhas e seringas, exigir material descartável ao coletar
sangue, se for mulher HIV-positiva evitar a gravidez e caso ocorra
tomar os antirretrovirais. São comuns nesses indivíduos alterações no
perfil lipídico e glicêmico aumentando a incidência de obesidade,
doenças cardiovasculares e diabetes.
Uma ingestão insuficiente de nutrientes
nesses pacientes afeta diretamente sua resposta ao tratamento. A
nutrição tem como objetivos minimizar a perda de peso corporal, de massa
magra, a imunossupressão e a ocorrência de doenças oportunistas.
Alimentos ricos em vitaminas e minerais antiinflamatórios e
antioxidantes são essenciais para a melhora do quadro inflamatório e do
estresse oxidativo. Frutas vermelhas, peixes, cereais como linhaça e
chia, azeite extra virgem, crucíferos e legumes contém substâncias como
flavonóides, fibras, ômegas e outros ativos que contribuem para a
melhora do quadro nutricional dos pacientes.
Autoimagem
De acordo com estudo de 2011, 75% dos avaliados mostraram alto grau de
insatisfação com a imagem corporal, não havendo diferença entre os
sexos. Os indivíduos mais insatisfeitos se queixaram de sintomas de
depressão, o que contribui para a má adesão à terapia antirretroviral, à
reduzida qualidade de vida e à diminuição da sobrevida entre esses
indivíduos. A difusão de informações educacionais para os pacientes são
fundamentais para o entendimento sobre os sintomas não visíveis da
lipodistrofia, como as que envolvem as funções metabólicas.
Alguns estudos apontam que mudanças nos hábitos alimentares e a prática
de atividade física são importantes para que alguns resultados
positivos sejam alcançados. Intervenções nutricionais e mudanças no
estilo de vida auxiliam na melhora da imagem corporal e consequentemente
da auto-estima aumentando a adesão à terapia antirretroviral.
Atividade física
Conforme a doença vai avançando, os
pacientes apresentam uma perda significativa de massa magra, o que
aumenta significativamente a força e estimativa de hipertrofia muscular,
além de redução de gordura corporal, perímetro da cintura e glicemia de
jejum. Eles ressaltam que esse resultado só é possível em conjunto com
uma nutrição adequada para que haja a síntese protéica.
O exercício físico pode aumentar o estresse oxidativo se realizado de
forma muito intensa. Entretanto, os pesquisadores sugerem a atividade
física de leve a moderada, aumenta também a capacidade antioxidante do
organismo (CAT, GPx e SOD) trabalhando em conjunto com uma alimentação
rica nesses nutrientes e com a terapia antiretroviral. Sugere-se que
mais estudos sejam realizados para uma comprovação final desses
benefícios. Para o tratamento adequado há a necessidade do
acompanhamento médico, nutricional e de um educador físico.
http://atarde.uol.com.br/cienciaevida/materias/1527785-hiv-saiba-mais-sobre-o-virus-da-aids