21.3.13

Testes rápidos ao VIH passam para os centros de saúde e arrancam no segundo semestre

Os testes rápidos de diagnóstico da infeção por VIH vão passar a ser feitos nos centros de saúde a partir do segundo semestre deste ano, estando já disponíveis verbas para a aquisição de 40 mil testes.

 

Segundo disse à agência Lusa o coordenador do Programa Nacional de Prevenção  e Controlo da Infeção VIH/Sida, António Diniz, até ao momento já manifestaram  disponibilidade para aderir ao programa as administrações regionais de saúde  (ARS) do Norte e do Centro. 
O responsável assumiu esta como uma das prioridades do programa, uma  vez que a taxa de diagnósticos tardios ao VIH/Sida em Portugal é de 65%,  o dobro da registada na Europa. 
No último ano, registaram-se menos quatro mil testes de diagnóstico  precoce, um número que preocupa António Diniz, que já assumiu querer reduzir  para 35% os diagnósticos tardios. 
Para isso, serão disponibilizados testes rápidos nos cuidados de saúde  primários de todo o país, estando já acordada a disponibilidade de seis  centros de saúde no Norte e três no Centro. 
Falta ainda estabelecer parcerias com as ARS do Alentejo, do Algarve  e de Lisboa e Vale do Tejo, acrescentou, especificando, contudo, que este  programa só arrancará a partir do segundo semestre, quando estiver estabilizado  o programa de troca de seringas e o programa informático para conhecimento  da infeção VIH. 
Este programa informático tem estado para ser instalado nos hospitais  há vários anos, mas só agora "está finalmente em aplicação e irá permitir  ter informação do ponto de vista epidemiológico e clínico para conhecer  evolução do VIH em Portugal", explicou 
Dos 17 hospitais previstos, 14 já têm o sistema em funcionamento: dois  hospitais da Universidade de Coimbra, os hospitais de Setúbal, do Barreiro,  Egas Moniz, Pulido Valente, Amadora-Sintra, Santarém, Tâmega e Sousa, Santa  Maria e para breve os hospitais de Gaia, Braga, São João e Matosinhos. 
"Estes hospitais abrangem 93% dos doentes. Ficam a faltar os hospitais  de Cascais, Garcia de Orta e Centro Hospitalar do Porto, o que corresponde  a cerca de 7% dos doentes", adiantou. 
António Diniz revelou também ter quase pronta a proposta de modelo de  rede de referenciação hospitalar, que será entregue à tutela durante o mês  de abril.  
Sobre a falta de medicamentos antirretrovirais nos hospitais, por dificuldades  financeiras, com que se depararam vários doentes no final do ano passado,  o coordenador do programa de combate ao VIH assegura estar ultrapassada.
A situação foi averiguada junto dos hospitais e, em função dos dados  recolhidos, foram apresentadas propostas ao Ministério da Saúde, que "terminaram  num despacho" (de fevereiro) que determina como os hospitais devem proceder  na distribuição dos medicamentos. 
De acordo com este diploma legal, a "distribuição de fármacos a menos  de 30 dias deve ser absolutamente excecional", explicou, acrescentando que  agora os hospitais são obrigados a cumprir esse prazo temporal. 
"O papel do diploma foi assegurar às pessoas que têm mecanismos legais  para fundamentar que a dispensa de medicamentos tem de ser feita mensalmente  ou mais. Antes não existiam estes mecanismos, agora há regras, está perfeitamente  claro como deve ser feito", sublinhou. 
Para António Diniz, é inaceitável ter pessoas a ir buscar semanalmente  os medicamentos, porque isso é "criar condições para que as pessoas desistam  de ir levantar a medicação". 
"Não podemos querer que as pessoas mantenham o tratamento e depois não  lhes dar condições. Falhar o tratamento é o primeiro passo para a evolução  da doença".  
 
 
http://sicnoticias.sapo.pt/vida/2013/03/20/testes-rapidos-ao-vih-passam-para-os-centros-de-saude-e-arrancam-no-segundo-semestre